Puro desejo, idiota ambição pelo impossível, o controlo que tomas sobre a minha inocência perdida por dias em que falava com estrelas que me ignoravam. Colocando-te acima de todos os meus sonhos de criança, sobre todos os desejos adolescentes, superavas tudo aquilo que me fazia feliz. O desejo, o meu único caminho de enlouquecer, suplicando por algo que sei que nunca poderei ter, suplicando pelo calor das tuas mãos a afagarem-me o rosto como um dia fizeste, suplicando pelo entrelaçar meigo dos nossos dedos, pela repetitiva sucessão do tocar dos nossos lábios, pela segurança que me fizeste sentir perdida nos teus braços, naquele abraço quente que me arrepiou ao sussurrares um amo-te, apoiado no meu ombro. Sabes acima de tudo, desejo esquecer. Desejo jamais recordar aqueles dias em que me fizeste feliz como nunca ninguém antes o tinha feito, aqueles momentos em que sorriste para mim e me pediste em casamento numa brincadeira um tanto infantil que se seguiu dum beijo onde me agarraste com toda a tua força, desejo nunca mais me lembrar do bater do teu coração que se fez sentir na minha mão poisada sobre o teu peito, do refletir dos teus olhos cor de avelã tão sinceros e das nossas mãos unidas por mil e um gestos que fizemos em sintonia. Desejo não ter chorado naquele canto agarrada à pequena recordação que eu tinha de ti. Este sufoco de te querer a meu lado torna-se uma compulsiva obsessão que me enfraquece e me atira ao chão sem forças para me erguer de novo, perante os nossos desejos perdidos em vão. Vivo com o medo, alimentado pela distância que percorre os sonhos que tive a teu lado. A desistência torna-se a minha primeira opção e assim me junto mais uma vez aos fracos, desistentes que se apoderaram de mim sem mais nem menos, destruindo assim tudo o que construímos juntos. E quando tudo isto chegar ao fim, não te esqueças que o meu maior desejo eras tu.
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